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Como é comemorado o carnaval em Veneza

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Como é comemorado o carnaval em Veneza

Ainda que seja uma das festividades mais famosas em todo o mundo associada ao Brasil, o Carnaval ou Entrudo nasceu na Europa.
Alguns teóricos estudiosos atribuem a sua raiz às festas em honra de Baco ou Saturno da antiga Roma, embora outros tendam para associá-lo aos rituais celtas pagãos que foram sendo controlados pela Igreja Católica. A época do Carnaval marcava o fim dos prazeres carnais e era celebrado com grande liberdade de costumes, normalmente associado ao exageros na comida e bebida uma vez que antecede o período da Quaresma, no qual se fazia abstinência e em que só era permitido comer peixe. O Carnaval de Veneza é considerado o mais importante e famoso de toda a Europa.
A especificidade do Carnaval de Veneza, como era habitual na Idade Média, enquadra a presença de magos, adivinhos, acrobatas e saltimbancos que se juntavam ao povo, aos mercadores e à classe nobre. Recorde-se que naquela época, Veneza era ainda uma pequena mas muito poderosa república. Em consequência da sua importância como centro mercantil e ponto obrigatório da passagem, tanto no atual território da Itália como nas rotas da China e do Oriente a ela mais próximo, Veneza tinha uma acentuada característica multicultural.
Contextualizando epocalmente, esta festa perdurou por vários séculos até que, no século XVII foi adornada com música, cultura e vestuário rico e exótico. Em Veneza, o Carnaval começava oficialmente com o ‘Liston delle Maschere’, o caminho das máscaras, que era o passeio percorrido pelos habitantes venezianos elegantemente vestidos e usando máscaras vistosas, ao mesmo tempo que expunham a sua riqueza através das jóias e dos tecidos que usavam no seu vestuário. Então, a nobreza se disfarçava para misturar-se com o povo e, desde então, são as máscaras o elemento mais importante deste carnaval. É curioso e necessário contextualizar, quanto mais não seja pela associação cultural, que as famosíssimas e belas máscaras estiveram durante muitos anos associadas ao teatro cómico, a ‘Commedia dell’Arte’. Através dele foram imortalizadas personagens que ainda hoje deambulam pelos desfiles carnavalescos como o Arlequim e a Columbina, por exemplo. A título de exemplo ilustrativo, a ‘Bauta’, de cor branca, é considerada a máscara tradicional de Veneza, que permite a quem a usa comer e beber sem a retirar, protegendo a sua identidade para os encontros românticos. Existe ainda uma outra máscara, a ‘Moretta’, que é exclusivamente feminina e foi uma das mais famosas, apesar de ser segura na boca através de um botão entre os dentes, o que impunha às mulheres um silêncio forçado que os homens apreciavam.
Por toda a cidade, multiplicam-se as lojas e os artesãos de máscaras, para as bolsas mais e menos recheadas, desde as mais simples, fabricadas em "cartapesta" (mistura de gesso e pasta de papel), às mais trabalhadas e por isso mais caras, feitas com banhos de metal e decoradas com prata e ouro.
A celebração carnavalesca em Veneza tem a duração de dez dias. O mais interessante passa-se à noite, nos bailes em salões e em companhias conhecidas como a ‘Compagnie della Calza’ que proporciona desfiles que circulam por toda a cidade. Os trajes que se usam são característicos do século XVIII, e são muito comuns as já referidas máscaras em tons de branco prateado e dourado e a riqueza de cores dos trajes, além do chapéu de três pontas ornamentado por fartas cabeleiras.
Em 1797 os festejos foram interrompidos quando Napoleão Bonaparte assinou o tratado de Campo Formio. Este foi um período conturbado para Veneza, que se viu ocupada pelos austríacos no ano seguinte. As festividades só foram restabelecidas oficialmente em 1979, após quase dois séculos de ausência. Desde então, a festa faz-se nos dias anteriores à Quaresma.
Curiosamente, o Brasil também celebra este Carnaval, durante a Festa de Gastronomia que se realiza em Nova Veneza, ao Sul do Estado de Santa Catarina. Não será igual ao que se assiste na Praça de São Marcos, em Itália, mas possibilita igualmente alguns momentos curiosos e gulosos, pois a macarronada é tradição, a música invade as ruas e o desfile de máscara veneziana só não é feito vislumbrando as gôndolas no horizonte...

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