Como é comemorado o festival das cores na Índia
O ‘Lathmar Holi’ marca o início do período primaveril na Índia. Essa data é celebrada de uma forma colorida no chamado Festival das Cores. Esta festividade hindu tem mais de dois milênios de existência e tornou-se numa longa tradição que atravessa todo o país. Os primeiros registros desta celebração advogam que se trata de uma metáfora da luta do Bem contra o Mal.
Em toda a celebração a alegria é contagiante e as pessoas abraçam-se, pintam-se de múltiplas cores e desejam umas às outras um ‘Feliz Holi’ ao som de música e acompanhado de muita comida e bebida.
A preparação da celebração começa algumas semanas antes do dia em que tudo acontece. As pessoas começam por juntar muita madeira para alimentar as fogueiras na noite do festival, até à manhã do dia seguinte. A alegria inicia-se aqui, com os sons, as danças e as festas a eclodirem por todo o lado.
Os registros históricos contam que o ‘Lathmar Holi’ é muito anterior ao nascimento de Jesus Cristo. Além disso, a profusão de lendas que explicam a sua existência é enorme e as histórias que o explicam são infindáveis. No entanto, a maior parte desses escritos remetem para o temível Rei Hiranyakashyap.
Diz a lenda que a vaidade deste rei era de tal exagero que ele pretendia ser venerado por todos os seus súbditos. Achava-se superior ao próprio Deus e perseguia todos os que se manifestassem espiritualmente. No entanto, foi o seu próprio filho, Prahlad, quem decidiu desafiar essa soberba e adorar apenas uma entidade chamada de Lord Naarayana [Nara (homem) e Ayana (eterno)]. Este ato insolente para com o pai quase lhe custou a vida. A irmã do rei, Holika, tinha um poder especial que era o de não se queimar quando em contato com o fogo (Esse poder havia sido concedido por Brahma, considerado pelos hindus a representação da força criadora ativa no universo). Então, seu irmão pediu-lhe que caminhasse por entre o fogo com Prahlad nos braços, para matá-lo. Porém, ao atravessar o fogo com outra pessoa e não sozinha, o seu poder foi anulado e, com a intervenção de Lord Naarayana (ou Vixnu - juntamente com Shiva e Brahma formam a trimúrti, a trindade hindu, na qual Vixnu é o deus responsável pela manutenção do universo), que assim retribuiu a sua inabalável devoção, Prahlad foi salvo e Holika queimada.
Portanto, a lenda invade a realidade sob a forma de moralidade e realça a vitória do Bem e da Devoção sobre o Mal. As fogueiras referidas anteriormente são acesas na véspera, chamada de Holika Dahan (morte de Holika), em homenagem ao salvamento miraculoso do filho de Hiranyakashyap.
A alegria que ressalta dos rostos em celebração assume a forma de todas as cores. Os participantes pintam-se uns aos outros com pó de várias pigmentações. Esse pó é diluído em água antes de ser aplicado na pele.
O festival acolhe todos os que nele queiram participar e vai sendo reconhecido mundialmente por inúmeros depoimentos escritos ou fotográficos de turistas que tiveram a felicidade de nele participar ativamente.
Incontornavelmente, o Holi incita à espiritualidade. Os elementos religiosos do festival são usados em adoração a Krishna (segundo a etimologia, a palavra 'krish' significa atração pela existência divina, e 'na' significa 'prazer espiritual.' Quando o verbo 'krish' é adicionado a 'na', resulta em 'krishna', que significa Verdade Absoluta).
O Holi atravessa todas as classes sociais e transforma-as numa só. Todos são iguais na essência do Ser. A celebração da união perfeita do yin complementado pelo seu oposto, o yang. Fica para todos um ano de dificuldades relegado para o passado para que, no presente, possam receber um novo ano de amor, simpatia, cooperação e igualdade para com todos.
Por fim, o festival das cores representa simbolicamente o momento da eliminação de todas as impurezas da mente, sendo o fogo o elemento purificador de devoção e de conhecimento. O espírito da verdade, da misericórdia e da generosidade atravessa em cor o povo hindu, que acolhe interiormente o valor divino, o Amor, como força superior do lado do Bem contra o Mal.
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