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Como foi a guerra dos 100 anos

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Como foi a guerra dos 100 anos

A guerra dos cem anos, na realidade, durou 116 anos (de 1337 a 1453). Esta designação refere-se aos múltiplos conflitos armados, interrompidos por tréguas e tratados de paz, iniciados em 1337 e terminados no ano de 1453, entre as duas grandes potências européias de então: a Inglaterra e a França.
A pretensão dos reis da Inglaterra de ocupar o trono da França foi o pretexto imediato para as hostilidades. Eduardo III de Inglaterra alegou ser o herdeiro legítimo do trono francês, pois sua mãe Isabel era irmã do rei Carlos IV da França, assassinado no ano de 1328. A versão francesa, em resposta, defendia que a coroa não podia ser herdada por linhagem feminina e acusava os ingleses de desenvolverem uma política expansionista, percebida pelos interesses na Guyenne e na Flandres. Os ingleses insistiam nos legítimos direitos políticos e territoriais na França. Embora tenham ocorrido crises anteriores, a data de 24 de maio de 1337 é considerada como o início da guerra: nesse dia, após várias discussões, Filipe VI, ciente da séria ameaça que representava para os seus domínios a existência de um ducado leal à coroa inglesa, apoderou-se de Guyenne. O rei inglês reagiu não reconhecendo mais Filipe como rei de França e ordenou o desembarque de um exército na Flandres, iniciando o conflito.
Cronologicamente, a guerra dividiu-se por quatro períodos: o primeiro entre 1337 e 1364, o segundo entre 1364 e 1380, o terceiro entre 1380 e 1422, e o quarto entre 1422 e 1453.
A longa duração deste conflito explica-se, por um lado, pelo grande poderio dos ingleses e, por outro, pela obstinada resistência francesa. Esta foi a primeira grande guerra na Europa e, como tal, veio provocar profundas transformações na vida econômica, social e política no ocidente europeu que ainda hoje se sentem. A questão dinástica que desencadeou o conflito ultrapassou o caráter feudal das rivalidades político-militares da Idade Média e influenciou os confrontos que posteriormente ocorreram entre as grandes monarquias européias.
A título de curiosidade, a heroína francesa no conflito e reconhecida mundialmente pela sua galhardia e sentido patriótico, Joana d'Arc, quase cinco séculos após a sua execução na fogueira por suposta prática de feitiçaria, foi canonizada pela Igreja Católica, em 1920. Deve-se, no entanto, recordar que, já em 1456, foi declarada inocente pelo Papa Calisto III, confirmando que a Igreja da Inglaterra, no julgamento que lhe havia feito, agiu parcialmente, pressionada pelos ingleses e pelos interesses políticos.
No plano político e social, a Guerra dos Cem Anos fortaleceu o poder real francês, abrindo caminho para o absolutismo, pois terminou com as pretensões inglesas sobre os territórios franceses, enfraqueceu a nobreza francesa e o sistema feudal permitiu construir e solidificar a construção de uma identidade nacional entre os franceses, potenciou a criação de instituições de governo centralizadas, fez decair a cavalaria e atrasou a expansão marítimo-comercial do norte da França.
Este conflito centenário, no qual foi utilizada pela primeira vez a pólvora por parte dos ingleses, deixou um rasto de milhares de mortos em ambos os lados e uma destruição nunca antes vista ou registrada nos territórios.
Poder-se-á, por fim, concluir que a Guerra dos Cem Anos marcou o final da Idade Média e anunciou o início da Era Moderna.

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    A guerra dos cem anos, na realidade, durou 116 anos (de 1337 a 1453). Esta designação refere-se aos múltiplos conflitos armados, interrompidos por tréguas e tratados de paz, iniciados em 1337 e terminados no ano de 1453, entre as duas grandes potências européias de então: a Inglaterra e a França.

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