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Como lidar com deficientes auditivos na escola

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Como lidar com deficientes auditivos na escola

A sociedade atribuiu erroneamente à escola a tarefa de transformar o mundo. Mas a verdadeira tarefa da escola é transformar o aluno, o futuro da sociedade, que vai se tornar em um agente capaz de transformar o mundo. E a escola deve ser capaz de transformar todos os alunos, sejam deficientes ou não. Para que ocorra uma inclusão real dos deficientes auditivos nas atividades da escola, é preciso que haja uma modificação das políticas educacionais em vários aspectos. A adaptação das aulas é essencial para viabilizar o aprendizado do deficiente auditivo, sem aderir a linha do coitadismo, pois o deficiente auditivo não é um coitado, mas merece acessibilidade justa e de qualidade. O acompanhamento constante do intérprete de Libras nas aulas é essencial para o aluno surdo sinalizado. A implementação de legendas em vídeos e em tempo real em palestras e seminários e a distribuição de apostilas da matéria com texto explicativo equivalente ás dicas do professor passadas em aulas, seriam de grande ajuda para os alunos surdos oralizados que dependem em demasia da leitura orofacial e da língua portuguesa escrita. Os surdos oralizados também poderiam ter acompanhamento de intérpretes oralistas ou copistas ou até profissionais estenotipistas, mas são raros de encontrar, e especificamente no Brasil tais profissionais não são regulares porque não estão previstos especificamente na Lei como o intérprete de Libras.

Dificuldade
Fácil
Instruções
  1. 1

    Como lidar com deficientes auditivos na escola?

    A equipe multidisciplinar da escola (professores, diretores e auxiliares) deve passar por uma conscientização dos tipos existentes de deficientes auditivos. Há os surdos oralizados e os surdos sinalizados, e também há a distinção de pré-lingual e pós-lingual.

    Os surdos sinalizados são aqueles que se expressam através da língua de sinais. A maioria prefere estudar em escolas especiais devido ao caráter inclusivo. A escola regular é obrigada, por lei, disponibilizar um intérprete de Libras para acompanhar o aluno surdo sinalizado nas aulas.

    Os surdos oralizados são aqueles que aprenderam a falar, como os ouvintes, e utilizam a leitura orofacial para entender o que as pessoas estão falando. A maioria usa aparelhos e ou implantes cocleares para o senso de orientação da presença de barulho. Discriminar com clareza os sons e reconhecer o barulho como som x ou som y requer o aprimoramento da memória auditiva. É aqui que entra a distinção pré-lingual e pós-lingual, que é muito importante, pois classifica os surdos de acordo com a sua memória auditiva, responsável pelo registro e reconhecimento dos sons e também pela capacidade congênita de imitá-los.

    O cérebro de qualquer pessoa precisa criar um registro pra cada coisa nova que percebe. No caso do som, ele precisa ouvir um determinado número de vezes para reconhecer do que se trata. Obviamente, também faz assimilações por proximidade, mas é um registro criado ao longo do tempo. Na infância, até os 6 anos, a criança cria 80% das sinapses que usará ao longo da vida. Por isso, é importante brincar e estudar nessa idade. No caso de adultos pré-linguais, é preciso criar o registro de sons a partir do zero. Por isso, a demora para reconhecer os sons.

    A pessoa que perde a audição depois de já ter adquirido a memória auditiva e a habilidade de falar é considerada surda oralizada pós-lingual. E a pessoa que perde a audição antes de passar por esse período da aquisição natural da memória auditiva e da fala, é considerada surda oralizada pré-lingual.

    Geralmente, os surdos pré-linguais costumam ter a fala com menor clareza/sonoridade devido ao pouco feedback auditivo, o que caracteriza a dificuldade de reconhecer os sons dos fonemas, e a inabilidade de imitar perfeitamente esses sons. A fala dos surdos pós-linguais costuma ser mais clara, devido á presença de uma boa memória auditiva, porém, cada caso é um caso. Vai depender de quanto tempo o surdo foi privado do som, se ele é estimulado por aparelho e ou implante coclear, e também de quanto é a perda auditiva (leve, moderada, severa ou profunda).

    Não tem lei específica para os surdos oralizados. Então a escola deve-se informar das necessidades dos alunos surdos oralizados, que incluem apostilas com indicações claras da matéria do dia para que o aluno possa estudar em casa de forma que não precise fazer anotações o que implica em desviar os olhos dos lábios do professor prejudicando a leitura orofacial, legendas em vídeos e estenotipia (legenda feita em tempo real) em aulas e apresentações como palestras e seminários.

    Além disso, é primordial que os professores tenham a consciência de que circular em demasia pela sala de aula prejudica a leitura orofacial do aluno surdo oralizado, assim como falar muito rápido, ter bigode e pouca articulação labial.
    O professor quando for avisar para a turma tarefas, trabalhos ou provas, deve anotar no quadro as datas e o contéudo, visando que o surdo oralizado não perca esse aviso de jeito nenhum. Porque a ciência da leitura orofacial é falha e requer muito esforço visual para não perder nenhuma informação precisa. Muitos surdos oralizados entendem mais pelo contexto do que pelo reconhecimento cem por cento de tudo que foi falado.

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