Folclore no Brasil: Lendas e Estórias do Folclore Brasileiro

O folclore é considerado um conjunto de lendas e mitos que vão sendo passados entre as pessoas de geração para geração. A maioria dos mitos nasce da imaginação das pessoas, em especial pessoas que moram na região rural do interior do país. Essas histórias são criadas para assustar as pessoas ou para passar mensagens importantes através de uma “moral”. O folclore se dá através de lendas e mitos que se originam em festas populares espalhadas por todo o território nacional.

As lendas são contadas para pessoas de forma oral e se propagam pelo tempo. Uma lenda é uma mistura de fatos históricos e reais com acontecimentos que são frutos da imaginação de quem a inventou. A lenda é uma forma de explicar coisas misteriosas e fenômenos que podem ser considerados sobrenaturais.

bandeira do brasil

Curupira

Curupira é uma entidade em corpo de criança com cabelos vermelhos cor de fogo, longos pêlos ao redor do corpo e pés invertidos. A atividade principal do Curupira é proteger a selva, seus poderes consistem em confundir e assustar os predadores da selva para os confundir.

Ele utiliza seus pés invertidos para dar direções erradas aos caçadores, é também capaz de criar imagens que não existem, imitar sons de animais, tudo isso com a intenção de fazer os destruidores da selva se perderem. Dependendo do seu erro, nunca mais conseguem encontrar a saída (Diz a lenda que existe uma maneira de fugir do encanto do Curupira, para isso deve-se pegar um pedaço de cipó, e nesse fazer um nó, mas esse nó deve ser muito bem trabalhado para o Curupira ter alguma dificuldade. Quando pronto, jogar esse nó e gritar desafiando Curupira a desatar o nó, e ele não resistindo ao desafio, acaba quebrando o encanto distraído na tentavia de desatar o nó ).

Ele também usa seu assovio, que de tão alto espanta os lenhadores e caçadores. É dito que é impossível caçá-lo, pois mesmo estando em seu momento de lazer descansando na sombra das árvores e se deliciando com os frutos da selva, apercebe-se com muita facilidade que alguém o está observando. A partir desse momento, ele foge em altíssima velocidade. Porém, apesar de ser um ser muito severo, ele é uma criatura muito doce com as criaturas da selva. Consegue perdoar caçadores ou lenhadores que de seus erros se arrependem.

Curupira além de proteger a selva dos caçadores e lenhadores, ele ajuda a própria a se manter. Assim, cuida das mudas, e árvores, essas que ele se verifica sempre, pois durante a ventania, as árvores podem despencar e machucar outras criaturas, daí o nome ” Senhor das Árvores “.

Mula sem Cabeça

A história da mula sem cabeça traz muita repercussão por causa da sua imagem e da sua história. A mula sem cabeça é um personagem folclórico quem tem seu corpo normal, porém, no lugar de sua cabeça, existe uma bola de fogo. A mula sem cabeça também é chamada de “mulher do padre”, “mula do padre” e “mula preta”.

A cor da mula sem cabeça sempre é marrom ou preta. Na sua corcunda tem ferraduras de ouro e prata que faz um imenso barulho. A mula sem cabeça aparece normalmente nas noites de quinta ou sexta-feira quando é lua cheia. É uma história um pouco assustadora e não se sabe ao certo em qual região do Brasil surgiu, porém, essa lenda é mais conhecida nas regiões rurais do país.

De acordo com a lenda a mula sem cabeça corre pelos campos e pelas matas para assustar pessoas e animais que aparecem em seu caminho. Existem várias versões diferentes para essa lenda.

A história mais conhecida sobre a mula sem cabeça é que há muitos anos uma garota e um padre durante um arraial tiveram um relacionamento amoroso e devido a essa atitude tiveram um grande castigo divino. Como castigo pelo pecado, a moça recebeu uma maldição para toda eternidade de se transformar em algumas noites em uma mula com a cabeça de fogo. Saindo por ai assustando e aterrorizando as pessoas que encontrava pelo caminho. Existem pessoas que acreditam que sempre que uma mulher se relaciona amorosamente com um padre a maldição se repete.

Os pais de algumas garotas usavam essa lenda para assustar e garantir que suas filhas não fizessem nada de errado e nada contra os princípios morais.

Existem outras versões menos conhecidas dessa lenda, algumas pessoas acreditam que a lenda da mula sem cabeça é também uma maldição, um castigo para uma moça que perdeu sua virgindade antes do casamento.

Outra história pouco conhecida é de uma rainha que tinha o hábito de devorar crianças mortas em um cemitério. Em uma determinada noite foi pega e assim, se transformou na mula sem cabeça, correndo pelos campos para nunca mais aparecer.

E existe a versão também que o padre foi amaldiçoado e não a garota. Tendo como castigo viver como mula sem cabeça e aparecendo em noite de lua cheia assustando as pessoas.

Porém todas as versões têm princípios defendidos pela igreja católica e pela sociedade. É uma história que assusta e distrai as pessoas e pode ter a intenção de garantir os bons costumes.

Boitatá

A lenda do boitatá é uma crença popular e como todas as lenas, ela possui várias versões de acordo com a região em que ocorre, já que as lendas se surgem da divulgação boca a boca. O primeiro registro oficial de aparição do boitatá advir do século XV feito pelo padre jesuíta José de Anchieta em uma de suas obras literárias.

Conta a lenda que o boitatá seria uma gigantesca serpente de fogo que percorria os campos e as margens dos rios à noite e possuía enormes olhos projetados e flamejantes. O Boitatá era protetor das matas e punia os que as incendiavam levando-os a loucura, cegueira ou até mesmo a morte.

A origem de seu surgimento aconteceu quando houve um grande dilúvio sobre as terras e todos os animais morreram, apenas sobrevivendo o Boitatá por ter buscado refúgio em uma enorme gruta profunda e escura por longo tempo até que o nível das águas baixasse. Por ter vivido tanto tempo na escuridão se justificaria os olhos projetados e somente os hábitos noturnos, pois durante o dia não enxergavam nada.

Quando os níveis de água baixaram e o Boitatá saiu da caverna, havia muitos animais mortos e a serpente regozijou de satisfação por ter tanto alimento. Como castigo todos os animais que comia faziam sua barriga incendiar-se iluminando todo seu corpo.

Então porquê o nome boitatá se é uma serpente? A origem do nome vem da língua indígena tupi-guarani onde “boi” significa cobra e “tatá” significa fogo. Como a história é passada de gerações para gerações algumas versões de lenda surgiram.

Em alguns lugares dizem que o boitatá seriam os espíritos malignos de pessoas ruins que morreram e vagavam pela terra ou que o Boitatá muitas vezes aparecia em forma de um touro com patas gigantesca e um único grande olho na testa que ardia em brasa.
Mesmo que existam mudanças regionais das características do Boitatá e a sua origem, está lenda sobrevive há séculos, o que é importante para a cultura folclórica do Brasil.

Tentando desmistificar o Boitatá, cientistas explicam que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo. O fogo-fátuo é provocado pela produção de gases inflamáveis dos pântanos e restos de animais mortos.

Boto Cor de Rosa

A lenda do boto cor-de-rosa tem origem da região norte do Brasil. O boto é um mamífero parecido com um golfinho que vive nos rios do Amazonas e pode ser encontrado também em diversos países como, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela. O boto vive em águas doces ao contrário de um golfinho que vive no mar. Existem botos de diversas cores,acinzentada, preto ou avermelhado.
A lenda do boto cor-de-rosa é muito conhecida e as pessoas costumam recordar até os dias de hoje, principalmente em épocas de festas juninas.

Durante as festas de São João, Santo Antônio e São Pedro, na região norte do Brasil, as pessoas festejam com muitas danças, comidas típicas, quadrilhas e tudo que o momento pede. Diz à lenda que o boto cor-de-rosa sai do rio nessa época festiva, e se transforma em um lindo e elegante homem, usando belas roupas, com chapéu e sapatos brancos. Um jovem que chama atenção quando passa entre as pessoas, que dança muito bem, com um jeito falante e galanteador. Dizem que a transformação do boto não é completa, por isso ele usa o chapéu, para disfarçar o nariz grande e a cabeça que continua com orifício no alto. Esse orifício que serve para o boto respirar. No intuito de saber se é ou não o boto cor-de-rosa, muitas mulheres pedem para os homens retirarem o chapéu. Além disso, a lenda menciona também que o boto usa outros acessórios, como cinto e uma espada. Na madrugada quando ele volta para o rio é possível saber que os acessórios usados por ele também são bichos do mar. A espada é um peixe elétrico e os sapatos e seu cinto são outras espécies de peixe.

Esse rapaz que é transformado nas noites de festas juninas, tem facilidade em se aproximar das mulheres que estão desacompanhadas nessa ocasião. Ele escolhe e se aproxima da jovem mais bela. Ele dança e conversa com essa moça durante a noite toda, na intenção de conquistá-la. No final da noite ele leva essa jovem para o final do rio, seduz a jovem e a engravida e na sequência abandona. Por isso mulheres mais velhas alertam as jovens para tomar cuidado com homens mais jovens e galanteadores, podendo evitar assim, ser mãe solteira e virar motivo de fofocas.

Essa lenda justifica os casos de mulheres que tem filhos e não são casadas. As mães solteiras falam para seus filhos que eles são filhos do boto para justificar a ausência do pai.

Saci Pererê

O Saci-Pererê é um mito que surgiu junto as tribos indígenas sendo retratado como um curumim encapetado de pele bem escura e dotado de um rabo saliente Com a influência africana no Brasil colônia com a chegada dos escravos, este moleque se adaptou aos mitos da cultura afro e passou por mudanças de suas características.

Sabe-se que o Saci lutava capoeira e assim perdeu uma perna passando a viver pulando por aí na que restou.Passou a ser descrito como um guri de uma perna só que pitava o tempo todo um cachimbo e punha na cabeça uma espécie de gorro vermelho que era a chave da sua liberdade.

O Endiabrado guri pregador de trotes, viaja dentro dos redemoinhos aprontando com pessoas e bichos. Ele parece se divertir com a ideia de transtornar a vida das pessoas sumindo com coisas, distraindo as cozinheiras que acabavam queimando a comida e ainda atentava os animais puxando o rabo deles. A mãe do Saci é o bambuzal, isto mesmo. Conta a lenda que ele nasce no broto do bambu e lá permanece por 7 anos até ganhar o mundo e passar mais 77 anos aprontando com as pessoas e os bichos.

Apesar de ser chamado de “coisa ruim”, “endiabrado”, “encapetado” entre outros adjetivos, o Saci não é um personagem maligno e a sua única intenção é zombar das pessoas.

A sabedoria popular prega que para prender um Saci e fazê-lo obediente é preciso seguir o rastro dos redemoinhos pelos descampados lançar uma peneira para sequestrá-lo, toma-lhe o gorro vermelho e aprisioná-lo em uma garrafa. O cachimbo do Saci é um mistério nunca se apaga, ele assoprava as cinzas nos olhos das pessoas para cegá-las quando tentavam o capturar.

Quando o Saci completa o seu ciclo de 77 anos de artimanhas ele some e reencarna como um cogumelo venenoso ou como os nós do tronco da árvore que o povo batiza de orelha de pau.

No ano de 2005 foi criado a nível nacional o dia do Saci que se comemora em 31 de outubro, o objetivo desta data foi valorizar mais a cultura folclórica brasileira ao invés de dar ênfase as comemorações do Halloween.

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